terça-feira, 26 de agosto de 2008

Férias de verao - 2008 (parte 2)

Depois da viagem à Alemanha e ao Benelux, em junho, quando o autor foi ao festival Hurricane, em Bremen, e também visitou Amsterdan, Bruxelas e Luxemburgo, entre outras cidades (ele, sua amada e seu filho), agora em agosto eles partiram numa viagem ainda mais longa:
Rumo ao grande norte!

A idéia era antiga, desde 2006 ou 2007 o autor queria tocar a ponta setentrional da Europa, Nordkapp/Cabo Norte, mas como ele nao é rico e a vida é cheia de imprevistos, isso nunca tinha sido possivel.
Em 2008 nao tinha sido melhor e o autor ja estava se acostumando com a idéia de mais uma vez adiar o sonho, ao menos em parte.
Na verdade em junho até tinha o dinheiro para fazer a viagem toda, mas aconteceram vàrias coisas, tipo voltar a arcar com os custos inteiros da casa (o irmao dele voltou a viver no Brasil), acidente com carro alugado na Belgica, castraçao da gata, revisao do carro dele etc etc etc.
Mesmo sem o dinheiro necessario para fazer a viagem completa o autor decidiu partir, visto que ja tinha comprado o ingresso para o festival Oya, que acontece em Oslo. 
O My Bloody Valentine iria tocar.
Ou seja, mesmo sem ir até o final, jà seria super legal ir até Oslo e assistir o MBV e tal. 

Entao uma nova luz no fim do tunel apareceu e os planos mudaram de novo.
Eles 3 mais o amigo Narciso cismaram de tocar a ponta mais ao norte do continente europeu, isto é, Nordkinn (na extremidade norte da Noruega, perto das fronteiras com Finlandia, Russia e Suécia).



O plano inicial era chegar a Nordkapp, mas o autor descobriu dias antes da viagem que o famoso Cabo Norte (considerado pela maioria o ponto mais ao norte da Europa, ao menos turisticamente falando), na verdade fica numa ilha e que, para visitar essa ilha, o turista deve pagar uma grana... Entao vendo o mapa e pesquisando na internet, descobriu que a extremidade de Nordkinn fica praticamente na mesma latitude de Nordkapp e que, além de nao se pagar nada para visitar Nordkinn (nem o pedagio nem o ingresso que o turista deve pagar para ver o tal Cabo Norte), Nordkinn nao se trata de uma ilha, é uma peninsula.

E essa viagem rumo ao grande norte foi uma daquelas onde voce se conhece mais e se surpreende ao mesmo tempo. Foi realmente uma viagem marcada por coincidencias, ou como prefiro negar, pressentimentos. Em vàrios momentos aconteceram coisas fora do comum, em vàrias ocasioes o autor mais sentiu do que entendeu qual caminho seguir.

Este post aqui é tipo uma introduçao, nao vou contar o que aconteceu na viagem nao.
:)
Nos proximos posts eu vou pedir para que o proprio autor escreva, em primeira pessoa!


Ah, e nunca numa viagem ele escutou tanta musica! Foram gigas e mais gigas de musica!!!
Também, imagina, foram nove mil km viajando de carro.

Torp Festivalen - Vestby (Noruega), agosto de 2008

Era o nosso terceiro dia de viagem.

No primeiro dia fizemos um trajeto longo, saimos bem cedo de casa, em Treviso, e dormimos a primeira noite nos arredores de Hamburgo. Estavamos um pouco apreensivos porque sabiamos que a lei alema nao permite o camping fora das areas a pagamento, e o nosso plano era economizar ao maximo (inclusive na hospedagem).

Pouco antes de alcançar Hamburgo, saì da rodovia e entrei num vilarejo, procurando uma area camping. Entao vi um posto de polìcia e tive uma idéia. Fui là e perguntei se poderìamos acampar em algum lugar, explicando que na manha seguinte bem cedo irìamos embora, continuando nossa viagem rumo ao norte.
Para minha surpresa o policial e a policial que me atenderam trocaram algumas palavras entre eles (em alemao) e entao se viraram pra mim dizendo algo como "na Alemanha nao é permitido o camping blà blà blà, mas daqui a uns 5 km, prosseguindo na rodovia em direçao a Hamburgo, tem uma area de descanço (daquelas com banheiro, posto de gasolina, lanchonete etc) e voces podem montar acampamento por là esta noite, mesmo porque seremos nòs mesmos de plantao por aqui hoje...".



E foi assim que passamos nossa primeira noite nessa nossa viagem rumo ao norte, acampados nos arredores de Hamburgo.

No segundo dia fomos de Hamburgo até Copenhagen e acabamos pagando para acampar numa area camping na periferia da capital dinamarquesa...


Mas voltando ao terceiro dia, atravessamos o estreito de Øresund e passamos por Göteborg, rumo à Noruega.

No dia seguinte (que seria o quarto dia) realizariamos um outro sonho: assistir a um show da banda My Bloody Valentine. Eles tocariam no festival Oya, que é realizado anualmente na capital Norueguesa.

Acontece que ao atravessar a fronteira vimos que nao faltava muito para escurecer.
Nosso plano inicial era acampar no centro de Oslo, na unica area camping dentro da cidade, mas uns 50 km antes da capital acabei saindo da rodovia em direçao a um vilarejo qualquer.
Disse algo como "sinto que devemos procurar um lugar para passar a noite por aqui".

Assim que saimos da rodovia, logo na rotatòria, aquelas placas me confundiram. 
De repente algo me chamou a atençao. Uma placa tosca, escrita a mao, com uma seta para a direita e as palavras "Torp Festivalen".
- Opa, é para là que devemos ir!
E fomos.
Era uma estrada estreita, passamos por um vilarejo, paramos na igreja (que emprestava seu quintal para servir de cemitério!) e tentamos conversar com alguém da casa ao lado (pedirìamos para acampar...), mas ninguém atendeu à porta.

O que fazer?
Seguimos a tal estrada estreita. Depois de mais ou menos outro km ela nao era mais asfaltada e depois de um outro tanto estàvamos entrando num bosque.
Claro que a essa altura estàvamos todos preocupados.
Entao acaba o bosque e começa uma plantaçao, de cereais.


Eis que avistamos a placa da foto ("Torpfestival" e a seta avante). Là na frente, uma fazenda. E sò.
A essa altura estàvamos agitados, sem entender patavinas.
Ficàvamos supondo, palpitando, sobre o que poderia ser aquilo tudo.

Enfim recomeço a dirigir e chegamos, o tal sìtio é realmente o fim da estrada!
O que vemos?



Sim, um sìtio, mas um sìtio com alguns jovens, cases e material de carpinteria pra todo lado.
Os tais jovens, quando veem o nosso carro, acenam sorrindo para nòs!
Nòs acenamos de volta e rimos.

E foi assim que conhecemos o Torp festival.
Um festival realizado por uma familia, no sìtio.
As vezes ouvimos falar que em tal festa parecia encontrar-se em familia etc, né? Pois entao, ali era realmente uma familia.

Em 2007 Morten Strand, o senhor de macacao vermelho da foto, permitiu que sua filha mais velha, Marthe, juntamente com sua outra filha e mais alguns amigos, fizesse uma festa no sìtio da familia.
A organizaçao da festa foi ficando tao legal e a espectativa era tanta, que a festa passou a ser vista como um festival. E assim foi, provavelmente o festival mais caseiro do mundo!
O festival foi batizado de Torp, que é o nome da gleba de terra onde se encontra o sìtio, dentro do municìpio de Vestby.

Agora em 2008 Marthe obviamente pediu ao pai para fazer a segunda ediçao do Torp Festivalen, e seu bom pai mais uma disse sim.
Assim ela chamou os amigos, convidou vàrias bandas do sudeste da Noruega, espalhou press-releases para a mìdia local e de Oslo, buscou apoio para o equipamento, camisetas etc, e mais, ela contou com a inestimàvel ajuda da propria famìlia para transformar o sìtio!



Era quinta-feira, o Torp festival começaria o dia seguinte e iria até domingo. Nòs chegamos là bem na hora em que eles estavam testando o som e terminando de arrumar o palco. O palco ficava dentro da estrebaria. O camarim era o quartinho de ferramentas. Claro, tudo redecorado, bonito, charmoso aliàs.

Marthe logo veio ao nosso encontro e se apresentou, foi extremamente simpatica e disse que poderìamos ficar para o festival, que seria um prazer para eles!
Entao explicamos que no dia seguinte terìamos o show do My Bloody Valentine para ver, no Oya festival, em Oslo. Ela disse que estava chateada, pois terìamos sido o primeiro pùblico internacional do festival deles, mas mesmo assim disse que poderìamos passar a noite là, se quisessemos. Ficarìamos na àrea camping do festival em troca de ajudar a arrumar o sìtio para o festival!
E assim foi, escolhemos o melhor cantinho da area camping deles (na pratica a area camping deles era o quintal da casa, hehe), fomos apresentados ao pessoal todo, montamos nossas barracas e entao começamos a trabalhar!



Carregamos mesas, fixamos o portal da area camping, pintamos placas...

Quando jà estava escuro todos pararam de trabalhar e entao apareceu o senhor Marten Strand.



Ele, que no inicio tinha me parecido um pouco esquivo (apesar de sempre muito educado), agora dava mostras de verdadeira simpatia e interesse pela nossa historia.
Resumindo, antes de irmos dormir, Marten nos levou de lanterna na mao a todas as cinco construçoes do sìtio, explicando tudo, falando sobre o material, o clima e os habitos dos tempos idos, de quando ele era jovem, de quando os filhos dele eram jovens etc etc.
Fomos parar no salao externo (armazem transformado em sala de jogos/pista para o festival - com direito a sofas, livros, quadrinhos e jogos infanto-juvenis cuidadosamente distribuidos por toda a parte), e ficamos conversando e bebendo cerveja, com guias, mapas e albuns de fotos por sobre a mesa. Pois expliquei qual era o nosso plano para toda a viagem, entao ele entao foi chamar um amigo da Marthe que ja viajou muito e ficamos conversando até altas horas.



Qual nao foi minha surpresa ao ver que até ali, dentro de uma barraca num sìtio no meio do mato, eu tinha uma rede wireless disponivel e funcionante!



Na manha seguinte a familia Strand nos esperava para tomarmos o café da manha juntos!
Foi assim que pudemos descobrir como é o café da manha quotidiano numa familia norueguesa!
Depois voltamos aos albuns de fotos deles e veio outro convite: passear pela propriedade, conhecer o interior do sìtio, trocando em miùdos, fazer trilha!


No topo da colina a vista era inesquecìvel, a floresta de pinheiros e o fiorde!
Nos ensinaram como detectar a idade de uma determinada qualidade de àrvore, là. Nos mostraram o local onde eles comemoram o natal, no meio do bosque com fogueira e àrvore de natal natural. Havia muitas variedades de framboesas, morangos e cerejas silvestres por toda a parte. Nos levaram na casa da irma dele, em cima da colina. Por fim nos levaram até o fiorde!



Parecia um daqueles sonhos bons que a gente nao quer que acabe.
Mas chegava a hora de ir embora.
My Bloody Valentine iria tocar.

As despedidas foram serenas e amistosas.
Convidei Marten para vir à Italia e ele pareceu contente com a idéia.

Infelizmente acabamos nao conseguindo ver os shows do Torp Festivalen, afinal MBV é MBV, po.
Mas ficamos chateados sim. Ainda mais por ver que o Torp Festivalen é um festival DIY!
De dentro da barraca, à noite, fui conferir o som de algumas das bandas, no myspace...


Ter conhecido a familia Strand foi uma experiencia unica, inesquecivel!

E agora para voces aqui vai um punhado de links para algumas das atraçoes do Torp Festivalen: