terça-feira, 3 de junho de 2008

Brasil - maio de 2008 - 4/7

De Araraquara segui para São José do Rio Preto, situada entre a divisa com Minas Gerais (Icem/Frutal) a norte, Araçatuba a oeste, Ribeirão Preto o leste e Bauru ou Araraquara a sul, e de lá para Mirassol (vizinha de S. José do Rio Preto), onde minha família se fixou depois de imigrar da Itália, no início do século XX.

Miguel me acordou antes das cinco da manhã. Como todo dia ele tem que acordar muito cedo para ir ao quartel, combinamos de sair juntos, visto que o ônibus para São José do Rio Preto saía da rodoviária às seis e pouco.
Ainda escuro e todo mundo no portão para a despedida, céu repleto de estrelas, nem quente nem frio, ainda bem que o ponto de ônibus fica bem em frente à casa da minha mãe.
Foram uns dez minutos de viagem, até a rodoviária. Antes de descer me despedi do Miguel, fardado, quem diria.

Depois de quase duas horas sentado na rodoviária entrei no ônibus. Foram três horas de viagem até São José do Rio Preto. De lá até Mirassol pouco mais de meia-hora.
Descer carregado daquele ônibus cheio de grades não foi muito fácil, o sol estava forte. Mas a sensação causada pela vista da esquina da casa da minha avó, por estar ali de novo, passando em frente ao posto de gasolina, a fábrica de doces, aquilo me fez bem.

Passei um só dia em Mirassol, isto é, cheguei pouco antes do almoço, minha vó estava preparando tudo com a empregada, depois fui até a casa da tia Rosa, vizinha da minha vó, e da tia Sônia.
Minha avó sempre tenta me agradar preparando coisas que ela sabe que eu gosto de comer. Ela e minhas tias Sônia e Maria Augusta inclusive prepararam pão!


Eu sempre me pego lembrando de minha infância na casa da minha vó, também fico imaginando como era a vida ali naquela casa muito antes de eu nascer, ao ver os quadros antigos com fotos da família.

Fiz questão de filmar minha avó.

Acabei dormindo lá.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Brasil - maio de 2008 - 3/7

Minha próxima parada foi em Araraquara. Lá moram minha mãe e Wilson, seu companheiro (sim, sou filho de pais separados), e Miguel, meu irmão mais novo.


Eu nunca tinha ido até Araraquara, quando vim morar aqui ela morava em Santa Rita do Passa Quatro, e os últimos dias que passamos juntos lá foram marcados por discussões e mágoas.
Claro que depois os ânimos foram baixando e com o tempo nossa relação voltou a ser amistosa, mas isso pela internet, por telefone e carta... Ou seja, deveria haver uma certa apreensão por conta disso.
Mas foi tudo melhor do que eu poderia imaginar. Juntos passamos 2 ou 3 dias ótimos, tranqüilos e amigáveis, em paz. Minha mãe fez pastel, fez caipirinha, ela e Wilson prepararam churrasco, ele me levou de moto para conhecer toda a cidade, Miguel me ajudou a configurar a internet com o modem dele, pois o pessoal da empresa continuava me pedindo traduções e trabalhos vários, e ele e Naiara, sua namorada, me levaram para passear no centro, assim eu poderia acessar a internet wireless no shopping...

O Miguel está fazendo Tiro de Guerra e ele e a Naiara estão estudando. Aliás eles sempre estão estudando para algum concurso ou fazendo algum curso, e eu acho isso muito legal da parte deles. Eles vivem tranqüilos, um para o outro.
Pude ver minha mãe muito mais tranqüila, ela parece mesmo estar bem.
Enfim, gostei mesmo desse período com eles.

Brasil - maio de 2008 - 2/7

Sábado era dia de festa, eu tinha dois encontros marcados:
Visitar a Luciana, minha melhor amiga desde 1989;
Reencontrar os amigos do Magic Crayon para tocar por algumas horas no estúdio onde ensaiávamos (Quadrophenia, do amigo Sandro).

Pegar ônibus e metrô de novo foi legal.
Quando eu estava quase chegando na estação Marechal Deodoro, onde deveria descer, lembrei que não tinha levado o vinho que eu tinha comprado na Itália para a Luciana.
Loser.
Para ajudar, assim que saio da estação, dentro do banheiro, quem me liga? Ela, Luciana.
- E aí meu, você vem ou não?
- Oi Lu, estou saindo da estação, 50 passos e já estou aí!
Não deu outra, passei na mercearia do china e comprei uma garrafa de um vinho lá.

Claro, ela riu muito por causa do episodio do vinho e eu fiquei sem jeito. Mas bebemos o vinho mesmo assim, felizes.
Logo depois chegou seu namorado Bruce e ficamos conversando numa boa.
Duas horas depois que cheguei lembrei de olhar o relógio e vi que estava atrasado (só alguns minutos, vai) para o encontro com o Barbosa.
Então nos despedimos com um encontro combinado para o dia seguinte.

Ainda bem que o ponto de encontro era na esquina da casa do Barbosa, isto é, a dois quarteirões do meu querido apartamento, onde a Lu mora desde que eu vim morar aqui.
O Barbosa logo depois de me cumprimentar diz para irmos à sua casa, pois os outros deveriam estar chegando por lá. Chegando lá ele me apresentou o apartamento (legal, por sinal) e abrimos umas latinhas de cerveja.
O Gilberto foi o primeiro a chegar. Ali estava o núcleo do Magic Crayon: Eu (guitarra e vocal), Gilberto (baixo) e Barbosa (bateria).
Assim que chegou a namorada do Barbosa saímos em direção ao estúdio.



No estúdio estavam Sandro, Leandro (amigo e fã do Fotograma), Luiz Junior e Mariana.
E tocamos. E foi inesquecível.
Primeiro, nós afinamos os instrumentos (eu toquei com a tele que o Sandro gentilmente me cedeu), inventamos uma linha melódica, uma base e fomos levando, inventando coisas e tocando. Paulo chegou e juntou-se a nós. Depois tocamos as 4 canções do nosso primeiro cdr-ep e no fim fizemos uma jam com o Junior e a Mariana do Fotograma.
Pois é, claro que ninguém tirou fotos nem gravou, seria convencional demais... Hehe. (ninguém deve ter lembrado de levar câmera etc)

Saímos do estúdio e voltamos para a casa do Barbosa. Foi então que ele botou pra tocar Pia Fraus e todos ficamos entusiasmados com essa banda shoegazer da Estonia. Conversa vai, conversa vem, ao violão (tocando clássicos do calibre Beatles, Dylan etc) ora Paulo, ora eu, ora Leandro, ora Junior, até que a cerveja acaba. Então nos dirigimos a um bar e continuamos conversando e bebendo...
Quase de manhã nos despedimos todos e Gilberto me levou de volta ao apartamento do meu pai.
Abrindo a porta, pensei: “meu, por noites como essa é que se vale à pena viver em sociedade!”.

Brasil – maio de 2008 – 1/7

O táxi passou na porta de casa pouco depois das 5 da manhã.
Em meia hora eu já estava fazendo o check-in.

O vôo de Veneza a Paris teve algum atraso, mas como eu ainda estava sonolento e tal, nem me dei conta. Foi pegar o Ecstasy e dormir, depois de uma ou duas páginas.
Não adianta, quando eu não gosto do livro de cara, sua leitura se torna uma tortura. Não que Ecstasy seja ruim ou mal escrito, pelo contrario, há partes muito legais, mas depois de Trainspotting eu fiquei meio brochado com esse...

Foi no aeroporto de Paris que percebi que eu poderia perder o vôo para São Paulo.
Corri, perguntei, rodei, até que consegui encontrar o local certo, bem em cima da hora.
Pouco antes de entrar no avião uma ligação da Isabel me deixou (mais) emocionado.

A viagem foi realmente estranha, eu estava morrendo de sono/cansaço e preocupação, pois:
1. vinha dormindo realmente muito pouco nos últimos dias (a organização da viagem tomou muito tempo e esforço);
2. estava chateado por ter que ficar longe da Isabel e do Lauro;
3. estava apreensivo com as palestras que eu deveria fazer no Brasil.

Na hora do almoço o destino (ou melhor, a Airfrance, hehe) me aprontou o golpe de (não) misericórdia:
Todas as opções do menu continham pepino.
Você consegue imaginar o cheiro de pepino que exalava dentro daquele avião?
E eu sou alérgico a pepino.
Sério, eu passo mal, tipo dor de cabeça, mal-estar, ânsia mesmo.
Para tentar superar esse problema optei primeiro por provar um dos pratos com o pepino e, depois, visto que fiquei mal, mudei de estratégia e passei a pedir uma garrafa de vinho tinto para todo/a comissário/a que passava.
O objetivo era o de me tranqüilizar e quem sabe dormir, pois sempre que estou passando mal eu procuro dormir, e quase sempre acontece que quando acordo me sinto melhor.

Depois da quinta garrafa percebi que a tática do vinho não estava surtindo o efeito desejado, então decidi assistir um filme.
Escolhi o Bucket List, com o Nickolson e o Freeman, que era o primeiro filme da lista, assim meio no escuro. E não sei se por causa da viagem sem a Isabel e sem o Lauro, se pelo mal-estar causado pelo pepino, se pelas garrafas de vinho, mas o filme me bateu.
Bateu bonito.
Chorei muito e sem parar, quase sorrindo ao mesmo tempo. Ainda bem que não tinha ninguém sentado do meu lado, pois, apesar de eu não chorar fazendo escândalo, qualquer pergunta do tipo “tudo bem com você?” só iria piorar minha situação.
Enfim.
Só então consegui alternar as horas restantes de viagem, de rosto inchado, entre sonecas e sons no mp3 player (The Fall, Any Wise Pub, Depeche Mode, Versus, Portishead, algumas coletâneas indiepop e shoegazer, algumas bases minhas e Peter, Bjorn and John).


Lá estava meu pai me esperando, no aeroporto.
Durão feito sempre, mas logo vi que algo estava melhor, que ele estava feliz com minha presença, e isso tornava mais complexa minha felicidade em revê-lo.

Estranhei pra valer São Paulo. Logo eu que sempre achei poser ou blasé quem volta ao Brasil depois um tempo fora e diz que notou uma diferença enorme etc e tal. Mas percebi que pode acontecer mesmo. Ao menos comigo foi forte (e olha que não foram 40 anos fora, foram 4), estranhei um monte de coisas: Aquele tráfego infernal, os muitíssimos motoqueiros passando a toda e buzinando ininterruptamente, os flanelinhas, os lavadores de vidro e os vendedores de balas no semáforo, os muitos buracos nas ruas, tanta gente, avenidas largas, prédios altos, pontes e viadutos etc.
Mas mesmo assim reconheci tudo aquilo, é estranho sentir-se em casa depois de 4 anos, sendo que sua casa está te esperando do outro lado do oceano.

No apartamento do meu pai já estavam meu irmão do meio, minha cunhada (sua mulher) e minhas duas sobrinhas lindas, de 5 e 2 anos. Depois do jantar ficamos conversando, rindo, jogando truco, bebendo cerveja e/ou cuba e matando a saudade. Aliás, que saudade também da cerveja brasileira!No dia seguinte meu pai me levou de carro para resolver coisas relacionadas a documentos e bancos, depois comemos juntos na churrascaria perto do prédio onde ele mora (me entupi de carne – boa!) e, já de volta no apartamento, fiquei horas revirando o monte de coisas que eu tinha deixado guardado lá. Maior seção flashback, hehe.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Autor novamente em terras brasileiras (mesmo que temporariamente e a trabalho...)!

Pois é, o autor pediu para avisar que vai chegar no Brasil no dia nove agora e que vai ficar até o dia vinte e dois.


Pena que ele vai sem a mulher da sua vida e sem o muleque da sua vida... Isto é porque ele vai a trabalho, fazer uma palestra em algumas universidades dos estados de Sao Paulo e do Paranà.

Mas, claro, sempre acaba sobrando um tempinho para ver os amigos, a familia, passear...


Ah, sim, a fotinha foi mesmo inspirada pelo filme Into the Wild (Na Natureza Selvagem). Po, aqui bem perto de casa eu sem querer encontrei um onibus abandonado num terreno baldio que é a cara do onibus do filme! Nao deixei passar, hehe.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Rubies em Berlim com WBA (o show festa)



Quando o autor viajou para Berlin ele pegou esse show do Rubies no Tape club, quase sem querer. E foi muito legal.
Primeira vez que tocavam na Alemanha (essa é a primeira turne na Europa), esse show de Berlin foi organizado pelo pessoal do The Withest Boy Alive.
Pode-se dizer que mais parecia uma festa entre amigos do que um show. O lugar estava lotado e todo mundo se divertindo, sem frescura ou pose.
O DJ da noite era o baixista do WBA.
Na entrada a menina da chapelaria achou que ele era frances, hehe.

O show em si, do Rubies, foi curto: umas 6 musicas. Justamente nessa Stand in Line entram no palco o tecladista e baterista do WBA.
Depois dessa eles tocaram uma versao eletronica de I Feel Electric juntos e o show do Rubies parecia ter chegado fim. Ou chegou mesmo, sei la. A vocalista ja tinha agradecido e falado aquelas coisas tipo "foi muito legal, Berlin!".

Entao o DJ, ao inves de botar um CD pra tocar, pula para dentro do palco e empunha o baixo. O alemao com cara de nerd, magrelo, cabeludo e fundo de garrafa senta na bateria e entao começam uma jam digna de uma reuniao conjunta de Parliament-Funkadelic com Sly & the Family Stone!
A coisa foi esquentando, uma linha de baixo levava a outra (aliàs todo mundo, tanto do Rubies como do WBA, tocava muito bem) e depois de um bom tempo eis que entra no palco, todo desajeitado, pulando e tentando se equilibrar, o Whitest Boy Alive em pessoa: Erlend Øye (também conhecido por ser um dos Kings of Convenience).

Nunca vi em toda minha vida alguem que representasse tao bem a imagem nerd de ser!Sensacional. De uma magreza impar, palido, com aqueles oculos fundo de garrafa, enormes. Cabelos longos, armados e despenteados. Mas com um carisma fora do normal, sempre incitando, com um sorriso de quem està vivo e curtindo.

Outra coisa digna de comentario: como é que esse pessoal consegue passear por tantos estilos musicais diferentes assim numa boa? Da hora.

Enfim, o show se transformou literalmente numa festa e a jam nao parecia ter hora para acabar. O autor teve que ir embora porque no dia seguinte tinha mais de 1100 km de estrada pela frente. Pouco antes de sair conseguiu escutar Erlend dizendo algo como "legal, se voces continuarem nòs vamos continuar, sem hora pra parar, até amanha!"!

Povo louco, hehe.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

6 coisas que amo / 6 cose che amo

Obrigado Mary (www.maryfrancis.splinder.com) por ter me convidado para jogar “6 coisas que amo”! Nunca fui um grandíssimo fã desse tipo de jogo, mas me rendo: pode valer a pena externar aquilo que se sente, ainda mais quando se trata de coisas que amamos!

Então, as 6 coisas que amo:

1. estar na estrada
2. escutar música
3. tocar violão/guitarra, baixo ou bateria
4. ler
5. escrever
6. imagens (paisagens, fotos, vídeos etc)


Os meus convites para jogar vão para:

She Python
Gilberto
Zanirvana
Lys
Fernando
Glauco


As regras que os convidados devem seguir são simples:

-indicar os links de quem os convidou
-escrever o regulamento no próprio blog
-citar os 6 objetos do jogo
-envolver outras seis pessoas
-comunicar aos próximos 6 sortudos a nomination


---


Grazie Mary (www.maryfrancis.splinder.com) per avermi invitato a giocare alle “6 COSE CHE AMO”! Non sono mai stato un grandissimo fan di questo tipo di giochi, ma mi arrendo: può valere la pena esternare quello che si sente, ancora di più quando si tratta delle cose che amiamo!

Allora, le sei cose che amo:

1. essere sulla strada
2. ascoltare musica
3. suonare la chitarra il basso o la batteria
4. leggere
5. scrivere
6. immagini (paesaggi, foto, video ecc)

I miei inviti a giocare vanno a:

She Python
Gilberto
Zanirvana
Lys
Fernando
Glauco


Il regolamento a cui si devono attenere gli invitati è breve e molto semplice:

-indicare il link di chi vi ha coinvolti
-scrivere il regolamento del gioco sul proprio blog
-citare le sei cose oggetto del gioco
-coinvolgere altri sei personaggi
-comunicare ai fortunati la nomination

segunda-feira, 10 de março de 2008

Dia da Mulher



Puxa, eu vinha pensando no que escrever sobre o dia da Mulher neste blog jà faz dias e dias, e mesmo assim acabei deixando passar batido o dia certo... Que feio, shame on me.
Eu decidi que deveria escrever algo depois de visitar o blog da amiga Lys. Lys organizou um movimento pela valorizaçao da mulher brasileira.
Pois entao aqui vai, atrasado mesmo, minha contribuiçao:

Fiquei impressionado com o que a Lys escreveu no seu blog sobre a pesquisa que ela fez no google digitando os termos "mulher brasileira".

Para eu poder continuar meu texto aqui, faço a seguir uma brevissima ilustraçao do que a Lys escreveu sobre isso.
Mais ou menos assim: Alguém vai no google e digita "mulher brasileira".
Os resultados dessa pesquisa?
Sites de putaria, sites de relacionamento oferecendo brasileiras para estrangeiros, modelos/atrizes/manequins etc.

Eu nunca tinha parado para pensar nisso, e é a mais pura verdade.
Isto é, claro que eu ja sabia dessa imagem negativa, ou pelo menos estereotipada, que a mulher brasileira tem no exterior, mas o que me deixou chateado foi ver que, ao contrario do que eu pensava antes (ou seja, que as mulheres de todos os paises pudessem ter uma imagem negativa ou pelo menos estereotipada no exterior), a imagem no exterior das mulheres britanicas, norte-americanas etc é bem diferente da ja citada imagem da mulher brasileira...
Diferente no sentido que enquanto os resultados da pesquisa no google demonstravam que as mulheres brasileiras no exterior sao vistas como promiscuas e/ou futeis, ja as britanicas e norte-americanas sao vistas como pessoas intelectualmente ativas, isto é, nao meros objetos.

E sabe o que?
Foi a Isabel mesmo, que é uma mulher e tanto, que disse logo de cara: "sao as proprias mulheres brasileiras as maiores culpadas por essa imagem que elas tem no exterior". E acrescentou: "Por isso que a mulher brasileira que nao se enquadra nesse perfil acaba sofrendo (aliàs sofrem todas), e pior, sofre duas vezes por ter que demonstrar que nem todas as brasileiras pensam e agem da mesma forma".

Pois é, é bem por aì.

A principio posso dizer que acho estranho isso de ter o dia da mulher, pois na minha opiniao todo dia pode ser dia de tudo, e nem tem essa historia de argumentar sobre o simbolismo da data e etc, é uma questao mais profunda pra mim (basta dizer que nao gosto nem de comemorar aniversario, hehe).
Mas, ja que o dia da mulher existe, que ao menos possamos fazer um bom uso dele, como por exemplo a campanha que a Lys e um monte de gente legal estao fazendo.
;)



Para terminar, dia 8 agora (o tal dia da mulher) caiu num fim de semana, e nos fins de semana eu procuro andar um pouco por esse mundo que temos aì fora.
Por isso que acabei esquecendo do post que eu queria escrever sobre a campanha em prol da valorizaçao da mulher brasileira.
Espero que um dia (e que esse dia esteja proximo) a imagem da mulher brasileira possa ser representada no exterior (e no Brasil tambem) logo de cara por muito mais do que é atualmente...

O dia da mulher de 2008 eu passei com a mulher da minha vida, fazendo trilha nas montanhas do Cansiglio, nos Pré-Alpes. Ambos felizes. Acabamos nem lembrando.
:)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Any Wise Pub e Zanin


A foto aqui de cima foi feita em 1992, num dos primeiros shows da banda Any Wise Pub. O show foi na casa Timonero's, na Ilha Porchat (Sao Vicente).
Todos os agradecimentos vao para o grande Antonio, que mandou algumas imagens depois de todos esses anos.
---
O video abaixo foi feito hoje. A musica foi composta e gravada no decorrer de 2007.
Tudo no maior lo-fi!
Eis a descriçao do youtube:
Amor, Vai, O Guia - Zanin
Cançao composta e gravada por Cesar Zanin na provincia de Treviso no decorrer de 2007. Agradecimentos a Marco (que ajudou na gravaçao do segundo take de bateria).
Bateria, baixo, guitarra, gaita e voz por Cesar na garagem de casa (exceto o ja mencionado segundo take de bateria por Marco no quarto dele).
Video captado com uma filmadora portatil por Isabel (no caminho para o supermercado) e montado em casa por Cesar com WMM no notebook (tranquilao na cama lendo Martin Eden). Treviso, fevereiro de 2008.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Top 25 albums 2007, mudança de trabalho etc




Nao posto aqui faz um tempao.
Mal.

O autor mudou de trabalho, saiu do hipermercado e virou porteiro de uma industria de calçados e roupas famosa.
Estava todo contente pois fazia menos horas do que no hipermercado e porque o trabalho em si é muito tranquilo. Na portaria da tal industria bastava apertar botoes (para abrir os portoes) e preencher alguns formularios, e às vezes algum telefonema ou alguma checagem. Ele podia inclusive levar o notebook pro trabalho (na maior parte do tempo ficava sentado)! Ou seja, tranquilidade total, bem diferente do hipermercado, onde ficava sempre em pé por varias horas, parado, espiando as pessoas e empacotando as coisas na entrada.
Acontece que menos de um mes apòs mudar de trabalho apareceu uma oportunidade unica e entao o autor està mudando novamente de trabalho.
Agora vai trabalhar como tradutor e redator, numa agencia publicitaria na provincia de Veneza. Vai ser o responsavel pela versao em portugues (e posteriormente também pela gestao) do site de uma das empresas coligadas.
Ah, além disso tudo o autor continua com os dois grupos de lingua portuguesa do Brasil, um numa industria metalmecanica (que tem uma filial em Curitiba) e outro justamente na agencia publicitaria onde agora ele vai começar full-time!
Ou seja, imersao total, um outro desafio, novamente.

Mudando de assunto, para as proximas ferias de verao o autor ja decidiu o que vai fazer.
A viagem.
Ele inclusive batizou a viagem assim: Expediçao Cabo Norte.
Serao aproximadamente 20 dias de viagem, uns 15 paìses visitados, mais ou menos 10 mil km percorridos, do Adriatico/Mediterraneo até o Mar Glacial Artico, centenas de km no interior do Circulo Polar Artico.
Tudo isso de carro. Com a ida pela Europa Ocidental e a volta pela Europa Oriental.
Yeah!

De quebra, boto aqui a lista, dos 25 albuns lançados em 2007 de que ele mais gostou, que ele botou no flog dele:
1. L'Aria Misteriosa (Artemoltobuffa)
2. Neon Bible (Arcade Fire)
3. Requiem (Verdena)
4. The Shepherd's Dog (Iron and Wine)
5. Reformation Post TLC (The Fall)
6. Mirrored (Battles)
7. Everybody (The Sea and Cake)
8. Sticking Fingers into Sockets (Los Campesinos!)
9. Idiot Savants (Durutti Column)
10. Beyond (Dinosaur Jr)
11. The Pains of Being Pure at Heart (The Pains of Being Pure at Heart)
12. Strawberry Jam (Animal Collective)
13. New Magnetic Wonder (The Apples In Stereo)
14. In Our Nature (José González)
15. Pianissimo Fortissimo (Perturbazione)
16. They Hurt You Everyday and Rainy Hearts (Sunny Street)
17. We Were Dead Before the Ship Even Sank (Modest Mouse)
18. Tromatic Reflexxions (Von Südenfed)
19. Era Vulgaris (Queens of the Stone Age)
20. Wincing the Night Away (The Shins)
21. In Rainbows (Radiohead)
22. Sound Of Silver (LCD Soundsystem)
23. Myth Takes (!!!)
24. Sky Blue Sky (Wilco)
25. The Flying Club Cup (Beirut)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Bonde da Grecia e da Turquia



E as férias do autor foram inesquecìveis.

12 dias de férias podem mesmo fazer muito bem.

5.959 km.
Italia, Eslovenia, Croacia, Hungria, Romenia, Bulgaria, Turquia, Grecia e Italia.



Vàrias històrias.
Enfim pisou no continente asiàtico (mesmo que tenha sido na pontinha dele).
Na Transilvania meridional/sudoeste da Romenia estradas do tipo Transamazonica (o pior dia para dirigir).
Tomou multa por excesso de velocidade na Grecia (ficou nervoso e com medo) e o guarda foi camarada (colocando uma velocidade menor para pagar menos).
Atravessaram o Danubio de balsa entre Romenia e Bulgaria à meia noite no meio do nada (era a fronteira mais "faroeste" que ele jà viu), e debaixo de chuva.
O alfabeto na Bulgaria amedronta, po.
As mesquitas turcas (e toda a cultura e modos dos turcos).
Os muitos e muitos sìtios arqueologicos da Grecia.
Os sìtios arqueologicos (e o modo engraçadissimo da gente) do sul da Italia.
O navio entre Grecia e Italia.

E muito mais.

s/t: muita coisa, hehe

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Corsa

Nossa, faz um mes que nao posto nada por aqui...
Pois é, estou numa correria tremenda, por aqui...

Aliàs, "estou numa correria" em italiano pode ser dito sono di corsa, e Corsa é o nome do carro que a Isabel sempre quis ter.
Quando ainda estavam em começo de namoro ela sempre dizia que queria ter um. Jà Cesar sempre dizia que nao importava qual seria a marca, bastava funcionar. Ele inclusive chegava a dizer que preferiria que fosse um carro tipo Fiat "caixinha de fòsforo" (147).
Enfim...

O citroen AX 1.0 1995 (carinhosamente chamado "verdinho") que os acompanhou em muitas viagens (comportando-se bravamente) foi vendido.
Compraram um Corsa Opel 1.2 2006, cinza.

E agora Cesar està para pegar uns dez dias de férias.

E eles vao pegar a estrada.
De novo.
Yeah.

s/t: Zanin, Lo Borges, Nick Drake, Bob Dylan, Yo La Tengo, Artemoltobuffa, My Bloody Valentine, Velvet Underground, Jose Gonzalez, Loop, Nico, Lemonheads, Fall, Legiao Urbana, Stereolab, Los Hermanos, Arcade Fire, TV on The Radio, Sea and Cake, Dinosaur Jr, Teenage Fanclub, Verdena, Wilco, Smiths

domingo, 9 de setembro de 2007

Io non sono qui (por essa eu nao esperava)

Sexta passada (hoje mais conhecida como anteontem) o autor chegou em casa do trabalho cedo (às 14:30) e junto com sua amada (que teve o dia todo de folga) teve a idéia de levar o filho para passear, para aproveitar o fim das longas férias escolares (o ultimo ano letivo acabou em junho; o proximo ano letivo começa segunda 10/09/07, hoje conhecida como amanha).

As opçoes disponiveis eram tres:
1. Ir até a loja de animais de estimaçao (em San Biagio di Callalta, uns 15 km de casa) e comprar a quarta (!) companheira para o Brasileiro (o periquito australiano do Lauro);
2. Ir até Silea (uns 10 km de casa), no complexo Cinecity, para enfim assistir o ultimo Harry Potter;
3. Ir até a praia (provavelmente na cidade de Jesolo, em Veneza, uns 45 km de casa).

Lauro queria mesmo era as tres opçoes, mas o friozinho que começa e o carro que agora deu para encrencar (radiador com problemas) acabaram invibializando a opçao 3, e as opçoes 1 e 2 nao eram compatìveis, isto é, tinham tempo suficiente para somente uma. E como o Harry Potter està para sair de cartaz... Acabou decidindo assistir o Harry Potter.



No caminho para Silea o autor pediu para Isabel pegar o guia e percebeu que San Biagio nao era tao longe de Silea, e num ìmpeto decidiu tentar fazer as duas primeiras opçoes no mesmo dia.
Depois da aprovaçao incondicional de Lauro e da aprovaçao emburrada de Isabel, pisou no acelerador e acabaram comprando a periquita.
Mas chegaram na loja (petshop) meio tarde e o autor teve que correr mais ainda para chegar no cinema sem perder muito do filme...
Chegando no cinema qual nao foi a surpresa ao ver que naquele dia nao haveria sessao de Harry Potter...
Desanimados, mais o Lauro do que os outros, foram ao banheiro e depois ficaram passeando um pouco pelo local (que mais parece um enorme shopping center - como aqueles de Sao Paulo...). Isabel comprou pipoca e o autor começou a ler, no folheto informativo que a atendente deu, a sinopse dos outros filmes em cartaz.

Foi quando se interessou por um tal dum filme chamado Io non sono qui (I'm Not There), sobre a vida e a obra de Bob Dylan.
Ignorante cinematografico que é, o autor nem sabia da existencia daquele filme, mas para nao perder a viagem acabou propondo à familia...
A familia aceitou.



E assistiram a um filme maravilhoso.



Trata-se de um filme a la Fellini, sem muito rigor historico/cronologico/factual, e com muita fantasia. Muita cor, muitos angulos. Para quem jà conhece Bob Dylan é possivel pescar vàrios lances e sacadas.
A trilha sonora é sensacional, linda, genial.
O filme conta alguns episodios da vida, da carreira e da obra de Dylan.
Sao 6 protagonistas.
Seis atores diferentes (entre eles uma mulher, um garoto negro e o romantico-mela-cueca Richard Gere) interpretando 6 vezes Bob Dylan.
E o autor, que nunca foi tao chegado a Dylan, chegou em casa e foi direto pro Google e pro Soulseek...

E descobriu muita coisa interessante.

Primeiro que o filme conta com uma trilha sonora imperdìvel, gigantesca. Participaçoes mais que especiais e uma super-banda formada por membros de bandas alternativas importantes.
Saca sò alguns nomes envolvidos:
Sonic Youth, Calexico, Yo La Tengo, Television, Pearl Jam, Pavement, Wilco, Sufjan Stevens, Cat Power, entre muitos outros, além do proprio Bob Dylan, claro.



Tem mais, 7 de setembro (que foi quando por acaso assistiram ao filme) foi a estreia mundial.
Somente na Italia.
Nos EUA e no Canada estarà em cartaz somente no fim de novembro!
Nos outros paises entao, somente a partir de dezembro!
A primeira exibiçao em absoluto foi no festival internacional de cinema de Veneza (està inclusive concorrendo!), no dia 4 de setembro. Depois houve uma outra exibiçao num festival no Canada, e basta.
Ou seja, totalmente sem querer, eles foram umas das primeiras pessoas a assistirem ao filme!



O autor nunca gostou tanto de Harry Potter, hehe.
E agora dà-lhe Bob Dylan no PC, no carro e no MP3 player...
Ah, o nome da periquita é Nico.

s/t: Bob Dylan (principalmente Basement Tapes), Smiths, Lemonheads, Artemoltobuffa, Nick Drake, VU, Loop, Morrissey (os primeiros), e, claro, The Fall

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Artemoltobuffa

Ter vontade de chorar - e por algo que nao seja necessariamente tristeza - ao escutar uma cançao, é algo "boiola"?
Explico:
1. Boiola no sentido piegas/cafona, nada a ver com predisposiçao sexual;
2. O "algo" em questao nao é necessariamente tristeza, mas pode até ser. Ou entao pode ser melancolia, ou inspiraçao/iluminaçao, ansia/ansiedade, contemplaçao, nostalgia, ou um pouco de cada um, em combinaçao, ou ainda algo a mais. Mas sempre nesse(s) sentido(s)...

Artemoltobuffa (em portugues Artemuitoengraçada (engraçada no sentido de 'ridìcula')), escrito assim tudo junto, é um projeto musical formado em Mestre (distrito de Veneza) entre 2001 e 2002 por Alberto Mufatto (reparou o anagrama?).



Alberto Muffato é um compositor.
Um compositor que sabe compor somente daquele modo, dele. As letras das cançoes que ele compoe sao literatura, poesia. Sim, sério.
Alberto é um cantor.
Um cantor que canta as cançoes que escreve, sempre daquele modo, dele. Com voz tìmida, tremula, delicada, quase desafinada, e linda.
Muffato é também um musicista, toca guitarra e às vezes teclado.
Um musicista que toca de modo calmo, introspectivo. Até mesmo quando produz microfonia e usa a distorçao.
Canta e toca de um modo que me faz invariavelmente vir em mente Nick Drake. Mas a obra do Artemoltobuffa vai além, pois conta com estruturas e formas que remetem também a Yo La Tengo, Sparklehorse, Red House Painters, Belle and Sebastian, e claro, todo o universo da musica popular e independente italianas (principalmente Perturbazione, Tiromancino, Gino Paoli, Luigi Tenco, Franco Battiato, Nicolò Fabi, Samuele Bersani).

Artemoltobuffa passou de projeto individual a coletivo no decorrer dos anos.
Sao 3 lançamentos oficiais.
Nel Bambù, demo de 2002, contendo 12 cançoes (a maioria das quais viria a ser aproveitada/regravada mais tarde). Nel Bambù foi inteiramente realizado por Muffato, que compos, tocou e gravou tudo, em casa. Totalmente independente.
Em 2004 foi lançado o primeiro disco, Stanotte/stamattina, contendo 11 cançoes. A essa altura o coletivo jà contava com a participaçao efetiva de Massimiliano Bredariol e Emiliano Pasquazzo. O disco foi lançado pelo selo italiano Aiuola Discos.
L'Aria Misteriosa, ùltimo lançamento do Artemoltobuffa (até o presente momento), é de maio ou junho de 2007. Foi produzido por Fabio de Min (lìder da banda bellunese Non Voglio Che Clara). Conta com 10 cançoes. Lançamento Aiuola Discos.



Estou para escrever sobre o Artemoltobuffa jà faz tempo, mas sempre faltava tempo (aliàs ainda falta).
Quem jà se emocionou com filmes como Nuovo cinema Paradiso ou Sociedade dos Poetas Mortos ou Central do Brasil ou La Meglio Gioventù ou Pretty in Pink ou About a Boy provavelmente poderà antecipar o que eu em vao tento descrever aqui, isto é, o que sinto ao escutar esse veneziano e seus companheiros.
Eu ainda nao pude ver um show do Artemoltobuffa. Nao vejo a hora de assistir. Perdi uma oportunidade e tanto: Eles tocaram no Airport festival de Veneza e eu acabei nao indo por algum motivo trivial (tipo ter que trabalhar no dia seguinte às 5:30 da manha). E olha que dias antes do show do Artemoltobuffa eu fui ver o Bluetones, nesse mesmo festival...
Mas eu ainda vou ver um show de Muffato e cia, po.

Sabe, hà algo que me deixa orgulhoso também, nao é sò o sentimento descrito no inìcio do post.
Alberto é veneto, ou seja, nasceu no Veneto (regiao do nordeste italiano). E, apesar disso, sua obra é bela e profunda a ponto de fazer o ouvinte pensar que nao seja veneto, que nao seja de nenhum lugar em especìfico. Ou melhor, chega mesmo a me fazer pensar que até mesmo no contraditòrio/retrogrado/arrogante/desconfiado/xenòfobo Veneto existe gente capaz de pensar e sentir como Muffato.
E, pra dizer até mesmo o que mais me envergonha, eu me orgulho porque ao escutar as cançoes eu fantasio meus antepassados que aqui nasceram (visualizo as paisagens de provincia daqui, com poesia) e consigo sentir que faço parte de ao menos uma ìnfima parte deste paìs e principalmente de um Veneto que quero continuar acreditando possìvel.
Sim, eu sei que é ridìculo, mas vai ver é isso (ser "ridìculo") que Muffato também quis descrever ao nomear seu projeto.

Se un giorno é a melhor cançao e mais bonita de todos os tempos.

Serviço:
Site oficial - em italiano (http://www.artemoltobuffa.com)
Pagina no MySpace (http://www.myspace.com/artemoltobuffa)
Fotolog do Muffato (http://www.fotolog.com/artemoltobuffa)
Letras das musicas (http://www.lyricsmania.com/lyrics/artemoltobuffa_lyrics_4908/)
Site do selo que lança Artemoltobuffa (http://www.aiuola.it/)
Pagina dedicada ao Artemoltobuffa no portal Rockit com entrevistas, resenhas e muito mais - em italiano (http://www.rockit.it/artemoltobuffa)

domingo, 5 de agosto de 2007

Como descobrir o local de origem do antepassado italiano (parte 2)

No post da primeira parte eu esqueci de mencionar algo essencial:
A pessoa interessada em descobrir o local de origem do antepassado italiano mais pròximo deverà saber falar italiano. Caso ela nao saiba, terà de aprender.
Ou melhor dizendo, caso ela queira resultados mais precisos e/ou mais ràpidos - e gastando muito menos ($...), ela deverà saber italiano.

Bem, continuando:

Para descobrir o local de origem do antepassado italiano mais pròximo, a pessoa interessada deverà escrever uma solicitaçao (redigida em italiano) para o Ufficio dello Stato Civile (no Brasil UdSC seria o equivalente ao cartòrio de registro civil), que é uma repartiçao do Comune (no Brasil comune seria o equivalente à prefeitura), requerendo a certidao de nascimento do antepassado (em italiano certificato di nascita).
Mas é claro que antes disso é necessàrio saber para qual comune enviar o requerimento.

Se a tàtica das conversas com os parentes mais velhos nao der resultados positivos, o interessado deverà tentar descobrir sozinho.

Como?
Existem pelo menos duas maneiras para tal.

A primeira é pesquisar os documentos brasileiros da famìlia.
Dois documentos essenciais sao:
1. A certidao de òbito do antepassado italiano (e/ou de casamento, ou na pior das hipòteses batismo do filho mais velho), com emissao efetuada no Brasil;
2. A certidao de desembarque do nucleo familiar do antepassado italiano (emitida pelos orgaos do governo estadual - em SP pelo Memorial do Imigrante).
Nesses documentos geralmente consta algum tipo de informaçao relacionada à origem. Claro que existe a possibilidade do interessado ser azarado pacas e encontrar nesses documentos algo como "Italia" e nada mais especìfico, mas a esperança é a ùltima que morre e quem nao chora nao mama.

A segunda maneira é descobrir a regiao italiana com maior incidencia do sobrenome desse seu antepassado.
Na internet mesmo jà é possìvel isso. No site da lista telefonica italiana ou em sites de organizaçoes dedicadas à pesquisa genealogica.

Existe ainda a possibilidade de se fazer a pesquisa dos microfilmes dos documentos de registro civil (da Italia e do Brasil) numa das trocentas filiais da igreja dos Mormons. Eles detém o maior acervo do mundo. Anos e anos de microfilmagem dos documentos originais realizada pelos membros da igreja ao redor do mundo. Tudo catalogado na sede (nos EUA) e disponibilizado para membros e nao membros.

Depois de descobrir a regiao basta redigir a solicitaçao e enviar para os comunes.

Existem pelo menos outras duas instituiçoes italianas que podem fornecer documentos com dados relativos à origem do antepassado:
1. A igreja catòlica (pois até 1871 era a igreja que detinha o controle do registro civil);
2. Os Arquivos do estado (em italiano archivio di stato).
No 1. voce deverà requerer a certidao de batismo ou casamento.
No 2. voce deverà requerer uma pesquisa nas chamadas listas do serviço militar (em italiano lista di leva).
Existe inclusive uma vantagem a mais em se escrever para o archivio di stato, pois os arquivos sao dirigidos pelas provincias, ou seja, conservam documentos de todos os comunes da provincia.

Outro detalhe a ser levado em consideraçao (para a pesquisa):
Muitos dos sobrenomes dos italianos que vinham para o Brasil eram modificados na chegada (ou mesmo posteriormente), pelos mais variados motivos (principalmente pela falta de habilidade dos funcionarios dos cartorios brasileiros com a lingua italiana, ou por questoes polìticas).
Ou seja, verifique se o seu sobrenome ainda é grafado do mesmo modo que é grafado na Italia.

Obviamente tudo isso que eu escrevi nao acontece assim de repente.
Tudo leva tempo e no fim voce deverà contar com a sorte. Vai acabar gastando um pouco ($... Mas com certeza muito menos do que gastaria se contratasse alguém para fazer a pesquisa por voce...) e vai acabar tendo que ler bastante. E principalmente ter muita paciencia e força de vontade, determinaçao.

Mas vale a pena.
Pelo menos no meu caso valeu, e muito.

Como descobrir o local de origem do antepassado italiano (parte 1)

O primeiro passo é perceber em si mesmo uma essencia italiana.
Muitas vezes isso começa com o sobrenome, que nao parece muito brasileiro... Mas às vezes pode ser também pela aparencia fìsica ou pelos costumes, pelo jeitao da famìlia etc.
Entao vem a curiosidade, e o assunto surge (entre amigos ou principalmente em famìlia), e enfim aparece a constataçao da descendencia italiana.

"Opa, sou descendente de italiano(s)."
Tudo bem. Mas...
E daì?

Hà quem se orgulhe de ser descendente de italiano(s) e hà quem nao se orgulha disso.
Hà quem se interessa mais e começa a fuçar e hà quem nao liga a mìnima.

Quem se interessa mais e começa a fuçar, descobre que por ser descendente de italiano(s), tem o direito à cidadania italiana. E aì hà uma nova subdivisao: entre os que começam a pesquisar para ter o reconhecimento da cidadania italiana e os que nao se preocupam em ter a cidadania italiana.

Dentre esses que começam a pesquisar hà outra bifurcaçao: entre os que (quando tiverem a cidadania italiana reconhecida) vao querer se beneficiar dela para sair do Brasil e os que querem a cidadania somente por orgulho pròprio. Dentre os que querem se beneficiar para sair do Brasil hà quem quer viver na Itàlia (para vivenciar a propria origem familiar, descobrir o que é ser italiano) e quem quer usar o passaporte italiano para conseguir entrar em outros paìses sem problemas (afinal a Italia faz parte da Uniao Europeia).

A motivaçao de cada um nao vem ao caso aqui.

Este post é para passar algumas dicas para quem està descobrindo que é descendente de italianos. Para aqueles que ainda nao sabem como fazer para identificar o local exato de origem do antepassado (ou ainda para aqueles que nem sabem ainda quem é o antepassado).

Pois entao, vamos là:

O primeiro passo, para descobrir a origem do antepassado italiano mais pròximo, quando sabemos que somos descendentes de italiano(s) mas ainda nao temos outros detalhes, é conversar com os familiares/parentes mais velhos. A começar pelos pais e principalmente avos. Seria òtimo encontrar aquele tio/aquela tia, que é dos mais idosos da famìlia, sabe? Daqueles que guardam os documentos mais antigos da famìlia etc.
Dependendo da famìlia, sò isso jà basta para descobrir o local de origem.
Na maioria dos casos, porém, o màximo que conseguimos com essas conversas é o nome de um lugar (como aliàs aconteceu comigo). Tipo, "ah, o seu bisavo? Ele veio de Padoa".
A grande maioria dos italianos que emigraram ao Brasil era composta de semi-analfabetos, pessoas simples, do campo. E no momento de registro, na chegada ao Brasil, forneciam (como local de origem) o nome que lhes parecia mais evidente, mais conhecido, isto é, o nome da provincia. Eles nao costumavam fornecer o nome do vilarejo propriamente dito (vilarejos esses que naturalmente se desenvolveram e se tornaram as atuais cidades italianas).
Acontece que a divisao administrativa italiana nao é como a brasileira, e assim sendo a confusao começa.
Quase todas as provincias italianas tem o mesmo nome da cidade que lhes serve de capital.
E todo o serviço de registro civil (ou seja, a identificaçao das pessoas), é feito localmente pelas cidades, e nao pela provincia.

Se a pessoa que escutou daquela tia idosa que o antepassado veio de "Padoa" for pesquisar, vai descobrir que "Padoa" quer dizer Padova, e que Padova é o nome de uma provincia e também de uma cidade (a capital da provincia).
Outra coisa, quando o emigrante italiano chegava ao Brasil, ele pensava que falava a lingua italiana, mas na verdade falava o dialeto local (por isso que a tal tia idosa disse "Padoa" e nao Padova; ela mesma escutou dos pais dela "Padoa" ao invés de Padova...). E essa é uma longa història (talvez para um outro post).
Entao, a pessoa interessada deve pesquisar se o antepassado veio de Padova cidade ou de uma outra cidade da provincia de Padova...
E cada provincia italiana contém umas cem cidades, mais ou menos...

domingo, 29 de julho de 2007

Foto feita com o celular no parque, escrevendo o sucessor de 360 Graus

Sim, minha orelha està ardendo, de novo.

O autor começou a escrever o sucessor do 360 Graus.

Eu sei, eu também pensei algo do tipo "mas se nem o 360 Graus foi lançado, por que escrever mais?", mas ele simplesmente acha que nao consegue evitar (o ato de escrever).

O primeiro capìtulo jà està pronto.

Sò falta arrumar algumas horas livres por dia para desenvolver e digitar o restante.
E isso sim é que serà muito difìcil...



A foto foi feita no parque da Villa Margherita, em Villorba/Treviso.
O autor e o filho foram passear no parque, e o notebook acabou indo junto.
Entre um passeio e outro o autor sentava e digitava um pouco. Lauro pegou o celular do pai, entre um brinquedo e outro (dos playgrounds), e fez algumas fotos. Aliàs o pai também fez algumas fotos.

sábado, 7 de julho de 2007

Viagens e sons - parte 2

Depois dos mais de 30 shows em Barcelona entre fim de maio e começo de junho (sim, um dia ele toma coragem e arruma tempo para escrever sobre eles), agora no mes de julho uma nova saga se anuncia.

A principal diferença é que em Barcelona os shows foram no mesmo lugar, afinal era um festival.
Agora se trata de um monte de shows em lugares diferentes, cidades diferentes, regioes diferentes.
Tudo na Italia.



Deu seus pulos e conseguiu acertar no trabalho os horarios para todo o mes de julho, de modo que seja possìvel viajar e assistir aos shows sem perder nem mesmo um dia de trabalho, yeah.

A maratona começou em 10 de junho com o evento/festival organizado pelo Perturbazione (foto 1); e depois em 30 de junho, com os shows do Verdena e do Giardini di Mirò em Ferrara.

Saca sò:

08/07 - Lou Reed (performing the album Berlin) na cidade de Arezzo (o show està sendo produzido pela mesma pessoa que produziu o disco; entre banda, arcos e coral, sao mais de 30 pessoas no palco!);
10/07 - The Bellrays em Ravenna;
11/07 - Arcade Fire em Ferrara (ùnica data italiana);
12/07 - LCD SoundSystem e Daft Punk em Torino (no festival Traffic - GRATUITO);
14/07 - Fuzztones em Verona;
17/07 - Bright Eyes e JayMay em Ferrara (no festival Sotto le Stelle - GRATUITO);
18/07 - Clap Your Hands Say Yeah, Scissor Sisters, Tunng, Spleen, !!! e Shitdisco em Firenze (no festival Italia Wave);
21/07 - Bjork em Udine (po, esse eu nem sei se ele vai conseguir - o ingresso custa 50 paus!!!!!!);
22/07 - ele tem que escolher entre os dois seguintes:
Au Revoir Simone em Ravenna
ou
Mutantes em Milano;
25/07 - a mesma coisa, escolher entre:
Xiu Xiu em Ferrara (GRATIS)
ou
Animal Collective em Marcon (num festival com outras bandas locais, perto de Veneza, sò 5 mangos);
26/07 - Tre Allegri Ragazzi Morti e Teatro degli Orrori em Marcon (no mesmo festival do ìtem anterior);
28/07 - I'm from Barcelona em Ravenna;
30/07 - Bluetones em Veneza.




Pior é saber que para fazer a lista acima ele teve que renunciar a vàrios outros shows (seja por tempo, seja por grana...).


s/t: caixa da Motown, Bugo, Mutantes, Battles, coletanea das Peel Sessions de bandas de Manchester, In Utero do Nirvana, solitario bit, Fall

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O reconhecimento da cidadania diretamente na Italia voltou a ser viàvel! E agora mais ràpido!!

Isso mesmo.
A notìcia (para nao dizer o milagre!) que muitos descendentes de italiano(s) interessados em obter o reconhecimento da cidadania diretamente na Italia esperavam com expectativa enfim se tornou realidade!
Na Gazeta Oficial italiana numero 126, do dia 01/06/2007, foi publicada a lei numero 68, de 28/05/2007, que regulamenta a estadia e permanencia de estrangeiros na Italia por motivo de negocios, turismo e estudo.
Em 13/06/2007, sob prot. n.200706371/15100-14865, o Ministério do Interior emanou a circular numero 32, que permite a inscriçao anagrafica do descendente de italiano(s) interessado no reconhecimento da cidadania, mesmo sem o permesso di soggiorno.
Em miùdos, aconteceu o que foi previsto aqui num dos posts anteriores por este que vos escreve: o reconhecimento da cidadania direto na Italia novamente é uma òtima alternativa para quem jà tem todos os documentos em ordem (e uma grana para aguentar os primeiros tempos)! E com essa ùltima circular o processo todo ficou ainda mais simples, isto é ràpido!
Para quem chegar na Italia depois de primeiro de junho (ou, dependendo, depois de 14/06/07), basta apresentar a tal declaraçao para a autoridade de fronteira (por ex. no aeroporto). Para quem chegou antes de junho basta apresentar o protocolo dos correios (do requerimento do permesso di soggiorno).
E pronto. A inscriçao anagrafica é realizada (apòs a vistoria dos vigili (policia municipal)) e depois disso é sò apresentar a istanza (requerimento) para o reconhecimento da cidadania no stato civile (cartòrio de registro civil do comune).
Dependendo da boa vontade do comune o processo todo pode ficar pronto em meros 2 meses (ou até menos!)!
C*H*E**F*I*G*A*T*A*!!!!!!
:-)

s/t: radio de indicaçoes do last.fm

domingo, 10 de junho de 2007

Viagens e sons



Putz.

O autor està de emprego novo. Entre 9 e 10 horas diàrias.
Ou seja, tempo livre virou luxo, miragem.

Antes disso, porém, houve algumas viagens da hora.

A ùltima foi a de barcelona, onde assistiram (o autor e sua amada) o festival Primavera Sound ("filial" espanhola do All Tomorrow Parties).
Esse da foto era o segundo palco (de um total de 7 ou 8). O local onde foi realizado o festival é enorme, chama-se Forum, e desde a sua construçao vem sendo usado para os maiores eventos de Barcelona. Aquela àgua alì atràs, na foto, é o Mediterraneo, coisa linda.

Alguns nùmeros:
- 3 dias de festival (de um total de 5 ou 6, se contarmos as festas pré e pòs);
- entre 7 e 11 horas por dia;
- pelo menos 32 bandas 'assistidas' (de um total de 119!);
- 310 fotos e alguns clips (fotos sem flash e clips com o audio horrivel (culpa da maquina fotografica desgraçada));
- entre 3 e 4 copoes de cerveja, 2 ou 3 garrafinhas de agua, um cachorro quente apimentado sem maionese e um kebab por noite.

Eu gostaria muito de saber quantos kms eles percorreram durante esses dias, de um palco para outro...

Agora o autor tem que arrumar tempo para responder aos amigos do blog e para escrever, escrever muito...
Pois hà muito para se escrever... Sò o festival jà vai servir de combustìvel para muitas linhas...

Sem contar que ele jà avisou que vai tentar ir a outros shows nesse verao, mesmo de emprego novo... Claro, sonhar ainda é de graça, hehe.

ps. Ah, a banda que estava tocando, que aparece de fundo na foto, é o Portastatic (show foda de bom, a propòsito).



s/t: The Fall, Wilco, Legiao Urbana, Fellini, Lo Borges, José Gonzalez, Bugo, Perturbazione, Mutantes, Joao Gilberto, Fotograma, FireFriend, Mundo Livre, Nirvana, Henry's Dress, I'm from Barcelona, Sea and Cake, Apples in Stereo, Solitario Bit, Verdena, Badly Drawn Boy, Rage Against the Machine
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