domingo, 25 de março de 2007

Apresentaçao do livro 360 Graus

Depois, total esquecimento, do tipo “quem você acha que é? Só existe um Beck Hansen, que canta Loser e faz turnês mundiais para promover seus álbuns gravados com total liberdade e distribuídos por gravadora multinacional” [...]
Aquela vontade de largar tudo para emigrar à terra dos antepassados na verdade começou pela internet. [...] Pelo o que lia, teria o direito de pleitear a cidadania italiana. Vieram as lembranças das histórias da avó; sobre a fazenda em que cerca de 30 famílias italianas viviam, construída pela força, coragem, boa vontade e esperança dos imigrantes italianos das famílias Barin, vinda da região de Padova, norte da Itália, e Panzani, vinda da região de Modena, centro-norte da Itália. Só o trajeto para chegar à terra que viria a ser a fazenda foi de três dias e noites, no meio da mata. Essas e outras coisas causavam em Bruno nostalgia e bem-estar ou euforia. O que teria motivado esses italianos a deixarem seu lugar de origem em direção ao novo mundo, cheio de novidades e incertezas?

Ufa, ainda bem que já inventaram o existencialismo. E a teoria do Caos.
Ainda bem que houve Thoreau. E Jack London. Ainda bem que há Eduardo Bueno. E Hornby.
Ainda bem que houve a geração Beat. E a série Vaga-Lume. Isso sem falar em Marco Polo, ou sei lá, La Meglio Gioventù, ou até mesmo a Odisséia... Pois assim fica mais fácil de escrever estas linhas, para apresentar o 360 Graus. Mas neste momento nada me facilita mais a vida do que, olha só, as telenovelas com temática "Brasil - terra de imigrantes".

Claro que o fato de outros terem facilitado minha vida desse modo traz também o inconveniente das comparações… Mas é assim mesmo e lutar contra isso somente nos afasta do que é (ou deveria ser, hehe) importante, ou seja, o livro em si, sua forma e seu conteúdo. E já que é assim, aqui vai:
Se você já leu os dois primeiros do Kerouac, ou O Fio Da Navalha de Maugham, ou o par City/Seda de Baricco, ou Pergunte ao Pó de Fante, ou o par Se um viajante numa noite de inverno/Cidades Invisíveis de Calvino, ou Os Caminhos da Liberdade de Sartre, você poderá mesmo ter alguns deja-vus lendo 360 Graus.
Não que 360 Graus seja mera cópia ou pastiche (sinceramente não é), mas seria muito difícil negar as influências que esses livros exerceram.

Pronto, feito o desabafo, posso indicar o 360 Graus para toda e qualquer pessoa que se interesse pelo tema emigração/imigração e/ou que se interesse por cultura pop. Também para aqueles que gostam de diários e descrições de viagens, apresentação/interpretação de acontecimentos históricos. O livro pode ser particularmente interessante para quem é descendente de italianos e procura suas origens (genealogia) e/ou o reconhecimento da cidadania italiana, pois é feita a descrição de todo o percurso para a obtenção da cidadania italiana por parte de um descendente de italianos nascido no Brasil.

O estilo de escrita encontrado em 360 Graus é simples e instigante. Trata-se de um romance. Narração em terceira pessoa entrecortada de diálogos.
A narrativa acontece em São Paulo, Brasil, e na Itália, Europa, entre 2001 e 2005, com digressões que chegam até a década de 1880.
Os personagens principais do romance são Bruno e seus familiares Barin (próximos e distantes).
A temática principal é a busca.
A linguagem usada é de cunho informal, com uso de gírias e empréstimos do italiano e do inglês.
Freqüentes e extensivas são as citações, descrições e referências a locais, fatos e personagens - reais - de diferentes períodos (desde os Romanos até grupos do rock inglês).

O romance é composto por 10 capítulos, além do prefácio e das notas.

---

s/t: Henry's Dress, The Fall

0 comentários: